Atravesso a rua às 16h05.
Mas e se o fizesse às 16h07? Será que me casava? Que não te conhecia? Que era atropelada?
Percebo que as nossas opções são fragéis. Mais – únicas, irrepetíveis. O pior é que as fazemos com um livre-arbítrio coberto pelo casaco do que somos. Eu atravesso a passadeira porque à frente tem aquela loja que eu gosto.
Tu, por exemplo, jamais atravessarias a mesma passadeira que eu. A tua é a mais de 20m da minha. E riscas sempre as linhas brancas. O carro que me atropelaria não seria o mesmo que o teu.
Um atropelo. Uma morte. Conhecer-te.
No final, controlamos nada.