Tudo recomeça num equilíbrio que não peço e que não me pertence pedir.
Mas amanhã chegas de novo, de abraços tão abertos como no primeiro dia. Ainda trazes laranjas, sóis e uma manta. Ouves atento como no dia que não me decifravas e deito-me no teu colo a que chamo Casa.
E amanhã chegas de novo, de pulmões tão cheios de verde para eu existir. Ainda trazes o mar que me esvazia tudo o que ocupa demasiado espaço. Ele leva o que não me pertence e regressa, banhando-me continuadamente de amor.
Viro outra. E amanhã estarás na mesma, para saber que faceta de camaleoa decido mostrar. Num abraço transformado em colo, apontas-me pro céu e já não sei se vi vinte e quatro estrelas ou se eram mais. Deixas-me repetir a contagem, as vezes que eu achar precisas.
Volto para onde vivo, todas as noites. Convidas-me pra onde moro, todos os dias. Até à exaustão que nunca aparecerá. Porque sou tua e, mesmo sabendo pertencer a outra coisa qualquer, é a ouvir o teu nome que a alma ganha uma cor desperta. É contigo que aprendeu a pular, contar, apontar.
Contigo sou sentidos, sentidos ao expoente.