Diário de viagem: dias felizes

Dia 24 de Abril de 2017

Acordo quase às oito da manhã, sem despertadores. Também não foi a chuva ou a conversa das pessoas que me fez despertar mas sim o meu corpo a agradecer pelo longo descanso e decidiu, assim, acordar-me de forma gentil. Parece que já me habituei a acordar durante a noite com calor e tenho descansado muito. Entre oito a doze horas. Por voltas das 20h começo a sentir-me cansada e pouco fiz durante o dia para que isso se justifique. Mas a verdade é que o corpo pede e eu dou-lhe esse descanso. Talvez isso faça, também, parte da terapia que é recuperar de um coração que não se partiu por todo mas que estilhaçou. Não tenho pensado muito nisso pois não dou sequer espaço aos meus pensamentos para entrarem nessa queda abrupta.

Antes do almoço, a Rita avisa-me que vamos andar de barco! Como o trabalho dela hoje é estar a servir bebidas dentro de um, o chefe dela disse que eu também poderia ir de graça se a ajudasse. Esqueci, por momentos, os momentos horríveis de enjoo que tenho sempre que decido andar nesse transporte. Ao entrar no barco, os enjoos vieram rapidamente. Como é que vou estar aqui a servir bebidas? Só o cheiro do álcool enjoa-me.

Além disso, não consigo estar muito tempo dentro do bar e muito menos sorrir em frente aos clientes enquanto só quero controlar o vômito. Passei, pois, a maioria da viagem deitada cá fora a ver as vistas – era mesmo como uma turista que simplesmente não pagou a viagem. Enquanto tentava focar-me no horizonte para não voltar a sentir-me tão mal, percebi, mais uma vez, a sorte que tenho. Estou no alto mar num barco cheio de gente de todo o mundo. Com a minha amiga a rir-se de mim. Tudo volta, uma infinita vez, a parecer simples; infinito.

Depois de chegar ao hostel, deito-me. Tento ganhar fome. Ao querer levantar-me, vejo algo a mexer-se no chão. Parece ter pelo nas patas e anda muito rápido. Rapidamente achei que era uma aranha gigante e venenosa e o interesse passou a medo. Reparo, então, que o bicho se movimenta de lado e é, apenas, um caranguejo. O gato, um dos tantos que por aqui andam, fica ao meu lado com o mesmo ar surpreendido.

E se fosse uma aranha, o que faria eu?!

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