Percebo cada vez mais a necessidade que tenho de ter o meu canto. Aliás, a maior dificuldade em abraçar uma vida destas seria mesmo essa – dividir constantemente as mesmas paredes.
Há dias que mesmo sendo brindada com um mar calmo e azul a dois minutos da cama, prefiro ir para o sofá duas horas e ler; e estar. E ser de outra forma que não a efusiva a que parece que somos obrigados a viver. Além de não sermos, seria impossível ter um regime desses durante dias consecutivos.
Há dias em que encher a cabeça de pensamentos de gratidão é, também, uma forma de viver explosiva – diria, até, mais impetuosa do que qualquer outra pois é um dos maiores sinais de que somos capazes de ser felizes independentemente da realidade.
Isto porque é na minha perceção da noção geral de realidade que sou capaz de ser feliz ou não e entender isto pode demorar anos mas quando finalmente temos a perfeita noção disto, parece que somos abraçados como nunca por uma noção de tranquilidade: tudo está bem e tudo estará sempre bem.
A partir do momento em que me deixo conduzir nesta rota de acontecimentos e escolhas que gozo com livre-arbítrio moderado – pois os acasos existem e acredito que são eles que nos fazem maiores do que ontem e mais fortes do que algum dia fomos – abro um caminho sem precedentes para uma vida que me trará o segredo bem mais escondido: a felicidade.
Considero que está tão bem guardado que é fácil nos esquecermos de procura-lo quando estará sempre dentro de nós, à espera de ser encontrado. Tenho a perfeita noção que posso ter percebido isto cedo mas sei, também, que me irei esquecer desta ideia inúmeras vezes quando a minha perceção da veracidade me deixar rodeada de pensamentos negativos e, consequentemente, de ações duvidosas que rapidamente entram num ciclo vicioso de tristeza.
Cabe, pois, a cada um de nós, aprender a resistir à facilidade que é ser triste num mundo que torce pela nossa felicidade e que nos conduz a um número infinito de situações amargas e doces para que possamos perceber que a felicidade não está no que nos é presenteado mas sim na maneira como escolhemos receber o que é dado.