Diário de viagem: todos iguais

Todos os dias entram e saem pessoas do hostel o que significa que diariamente nos apresentamos. A quantidade de nomes, idades e propósitos da viagem diferem constantemente.

Mas há algo que é comum: todos escolhem como marca de identidade referir o país natal.

Será que o lugar que nos viu nascer, fruto de um mero acaso, é algo que faz parte da nossa identidade de uma forma tão intrínseca como os nossos desejos para a vida pessoal? Poderá esse lugar ter moldado de tal forma a nossa mística que não o proferir é quase crime? Será uma forma assim tão determinante de justificar uma certa forma de estar e de perceber o que nos rodeia?

Independentemente da nacionalidade, somos feitos da mesma massa, para além da física e palpável; bem além dos ossos e músculos, existe uma mística que nos caracteriza como espécie, ou pelo menos, como jovens adultos: a vontade. A coragem. O fazer. Ir para além do pensamento: agir.

E aqui, rodeada de espanhóis, alemães, franceses, americanos e tantos outros, denoto que o brilho no olhar é o mesmo. A curva no sorriso também. A vibração com que vivem cada dia é de tal modo homogénea que sou capaz de jurar que alguns agitam-se com o mesmo ritmo, num uníssono incapaz de ser visto a olho nu mas bem mais relevante do que qualquer nacionalidade.

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