Diário de viagem: aventuras

Há um número gigante de coisas aventureiras que não tenho vontade de fazer. Jamais serei o tipo de amiga que quer fazer desportos radicais, que sobe montanhas sem qualquer medo ou que procura desafiar a morte através de atividades corporais. Não sou preguiçosa, simplesmente tenho outras vontades e procuro outros estímulos que poderão ser igualmente desafiantes noutras proporções e campos.

Por exemplo, andar à boleia. Já é uma atividade bem conhecida pela Rita pois já o fez em vários países da Ásia sem grande medo, em grupo e sozinha. É um tipo de confiança cega que proporciona o que qualquer viajante do nosso tipo quer: não pagar por transporte, conhecer pessoas novas e poder comprovar que é possível confiar no desconhecido.

Experimentei uma viagem de autocarro impar onde foi possível perceber que meia hora antes de o autocarro arrancar começa a festa da venda de água, sumos em sacos de plástico, crepes com frango com óleo a escorrer das mãos da senhora que grita os preços e tantas outras coisas que fazem com que aquele espaço se encha de odores violentos o que culmina numa experiência sensorial demasiado intensa.

Além disso, os constantes gritos dos diferentes vendedores e as tentativas de passarem por entre os passageiros eleva a viagem a outro nível antes mesmo de ela começar. Até que começa:

Já sem os vendedores, o autocarro para quando as pessoas gritam ou quando há passageiros a pedir para entrar. Mas também para sempre que há lojas e lojinhas, barracas e barraquinhas para que as pessoas possam vender algo aos passageiros e na verdade as pessoas compram – o calor é insuportável, o que leva a que a água seja O bem mais precioso e já me arrependi de não ter comprado uma garrafa. Ou duas. Ou mil.

Passado uma hora, chego ao destino. Agora tudo se complica: como é que vou sair? O autocarro está demasiado lotado, as pessoas não se deslocam para eu sair e já pisei metade da população que aqui está. Já esbarrei em crianças, homens e mulheres e já pedi desculpa mais vezes do que na minha vida toda.

Até que saio: não é uma boa sensação pois ao respirar fundo só sinto mais calor. E não tenho água. E ainda não chegamos. E agora sim, vamos pedir boleia.

Aceitei que iriamos ficar naquela estrada deserta demasiado tempo até que passado poucos minutos um senhor simpático para e deixa-nos ir na sua carrinha. É pena que não possa ir connosco até ao destino final.

Prossegue, então, a nossa jornada da certeza invisual que iremos chegar ao hostel sem problemas. Dez minutos depois, conseguimos boleia… exatamente para onde queremos! Saltamos para a parte de trás do jipe e o senhor prossegue como se não fossem duas miúdas lá atrás, tendo em conta a velocidade com que faz as curvas destas estradas onde tanto pode estar um cavalo no meio ou uma galinha a atravessar a rua.

Chegamos. Correu tudo bem. Bruna, entende que na maioria das vezes será sempre assim – não deixes que a exceção te impeça de tentar. Pior, de confiar. Entrega-te e acredita que há mais bem no mundo do que alguma vez haverá mal.

E tudo começa em mim.

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