Até já voamos

A ideia de que o aeroporto é um lugar de despedidas parece-me ultrapassada. É, sim, um lugar onde mora nervosismo, ansiedade e entusiasmo.

O desconhecido apavora-nos. Se por vezes isso se traduz em preocupações desnecessárias, noutras vezes cria só ânsia ou emoções bipolares.

Acredito que tudo o que não nos é familiar terá sempre um efeito negativo pois o ser humano tem a mania de arrumar tudo em gavetas; a necessidade de denominar todas as coisas e acontecimentos dá-nos uma sensação parva de controlo.

Torna-se fácil gostar desse controlo pois cria espaço para a necessidade de controlarmos tantas outras coisas que ainda estão fora do nosso alcance.

E ai surge de novo o desconhecido que se pode materializar numa viagem e perder a sua matéria em mil e uma coisas que, por muito que sejam exploradas, nunca poderão ser verdadeiramente nossas vizinhas.

É engraçado ver a massa díspar que percorre os corredores em busca de uma oportunidade, de um reencontro fugaz, de uma promessa de segurança.

No final, o nosso destino é invariavelmente o mesmo — a felicidade. É engraçado perceber que às vezes ela está à distância de três escalas quando éramos capazes de jurar, há um ano atrás, que ela morava connosco.

Um dia voltamos a casa e ela ainda lá está — mais enrugada mas continua a chamar-se assim; é outra vertente do mesmo sentimento e sim, também a podes agarrar como fazias.

No fundo, ela habita onde a quiseres ver.

E sei lá, haverá um mediador mais democrático para essa procura do que um aeroporto?

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