Não podemos falar alto.
Deveríamos contemplar, durante alguns minutos, as obras de arte. Vejamos – ir a um museu requer o cumprimento de regras que funcionam como códigos não linguísticos e uma forma de reforçar a identidade de um grupo; sendo implícito, requer uma bagagem de noções que se pressupõem adquiridas e trabalhadas num contexto social, pelo que o comportamento poderá criar incongruência entre o real e o que seria esperado. O resultado? A criação de um momento de conflito pois pode separar um individuo ou um grupo do resto: «…social being is defined by an essence: not of kin, blood, estate or tradition, but of aesthetic competences seen as ‘gifts of nature’» (Bordieu, 1984:29)
No entanto, é nesse desfasamento que poderá existir a mais-valia experiencial da arte (Greenberg, 1939) pois a falta de engenhos para fazer a descodificação pode levar a interpretações e pontos de vista tão interessantes como aqueles feitos por quem percebe do assunto. Ou seja, o desejável seria que globalmente houvesse o mesmo acesso à arte de modo a serem feitas escolhas conscientes sobre o que consumir e o que rejeitar. Tendo em conta que tal situação é utópica, o interessante poderá ser explorar essas discrepâncias de modo a existir uma pluralidade de opiniões, tão válidas (a meu ver) com conhecimento acumulado ou falta de conhecimento do assunto que se trata – pode resultar pelo facto de a arte ter a componente subjetiva tão marcada na sua essência e identidade.
Atualmente, a modernização dos museus e a tentativa de aproximar estes espaços a mais camadas da população, faz com que se tornem em agentes de mudança; segundo Nick Prior, estão a ser feitos esforços para combater a intolerância e exclusão social em espaços culturais e, assim, haver uma abertura suficiente para tornar a arte a cultura num tema confortável para todos – independentemente do seu capital cultural e financeiro.