De outra galáxia

Eu sei que não és daqui. Vens de um planeta feliz e achas isto tudo tão estranho. Por isso é que não consigo deixar de me fascinar contigo, por muita coisa que venha ou que tenha ficado, porque o tempo não cura. É esse o teu segredo. Ou melhor, era.

Só te peço: não voltes a casa, eu posso ajudar-te a criar um lar, aqui. Onde tenhas quadros de casa e memórias de há anos. Onde te lembras de mim. Onde és pequeno e humilde. Não mudes, vais percorrer tantos mundos que te podes perder. Ai, lembra-te de onde vens. Do planeta feliz. Quando saíres da corda que te mantém tão seguro, eu volto a pôr-te lá e fico até saberes onde pertences. Podes cair da corda, quem não cai? Voltas sempre. Lembra-te do planeta feliz e da corda.

Se possível, lembra-te de quem te equilibra entre dúvidas e saudades. Eu não vim de uma planeta feliz e sinto o chão mais do que tu, não tenho como rotina ir ao céu e roubar uma estrela. Não guardo cheiros numa caixa perdida no quarto nem falo com árvores. E no entanto, eu sou como qualquer outra coisa que tiveste no teu planeta. E quando olhas pra mim, eu sei que me guardaste; seja lá onde for.

Estavas sentado na minha cadeira mais desconfortável e eu fixei o meu olhar nos teus traços. Realmente, és peculiar. Nunca vi ninguém com uma imaginação tão fértil nem com tantos sonhos vividos. Sabes, aqui a maioria de nós sonha, mas deixa-se levar pela rotina. Não sabemos viver. Tu aqui és criança; na minha perspetiva, és o mais vivo que já conheci. O mais adulto por não sucumbires ao que os outros já aceitam como normal.

Já imaginaste como seria se toda a gente pensasse como tu? Agisse como tu? Sorrisse e fosse livre como tu? Fica aqui, tens tanto para me ensinar.

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