É a desculpa mais fácil que passa por verdade por quem a profere: sermos como somos por causa da herança genética.
Afinal, quem é que mandou a nossa trisavó dar-lhe fortes nos doces todas as quartas enquanto esperava aborrecida pelo marido? Ninguém! Podia muito bem encher-se de aipo com alface enrolada e molho de cenoura mas não, estava mesmo ali a pedir o colesterol alto e uns diabetes. A consequência lógica é, passado 60 anos, culpabilizar a nossa tendência para os doces com base nos lanches que se faziam quando o mundo ainda era a preto e branco.
Não. Tu podes mudar — sem querer ser radical ou fanática, ainda não é desta que vou gritar na rua que os legumes são a resposta – completamente o rumo da tua saúde mas com um custo fodido para quem não o quer assim tanto: mudar. Todos os hábitos pro lixo, se forem maus ao ponto de (quase) não-retorno em que a tua saúde já abandonou o barco e tá de férias num sítio espetacular com as restantes leguminosas que foram abandonadas. Adiante.
Os medicamentos resultam, acredito. Se o que procuras é uma resposta rápida. Queres estar sempre a recorrer a isto? Com uma farmácia tão boa ali na cozinha? Queres mesmo fazer análises, ver certos valores tão altos mas dares palmadinhas de consolo nas tuas costas porque há quem esteja bem pior? Queres chegar a esse “bem pior”?
É difícil dizer adeus ao açúcar, às farinhas, ao sódio e a esses conservantes que o pessoal se lembrou de inventar. Mas também não tem de ser assim. Parece que é igualmente complicado dizer “até já” a todas essas porcarias ou reduzir o seu consumo ao ponto de vermos os benefícios diários que valem muito mais do que umas análises sanguíneas.
Sentes-te melhor? Então muda. Mas de vez. Não é a dieta do brócolo ou da maça. Podes chamar-lhe o que quiseres mas gosto de acreditar que é a mudança que fazes por gostares suficientemente de ti. Queres tanto nutrir-te que o melhor abraço que podes dar-te é a oportunidade de um novo começo mais equilibrado.
Posto isto, odeio extremismos. Ou melhor, não simpatizo com eles se te põem no risco de perder algo crucial — a sanidade mental. E acredita, quando entra em sintonia com a saúde física abrem-se portas que nem sabias que existiam na tua mente. Não só estás mais tranquilo como és mais tranquilo. O estar passa a ser. E durante o tempo que assim desejares.
Aprendi a gostar dos deslizes: sei rir-me deles. Sei o que é querer comer dúzias de batatas fritas mas percebo que não preciso de tantas assim. E como-as. E não caio no erro de tentar compensar o que fiz porque não o vejo como um erro nem como uma recompensa. Foi uma ação que, pensada ou não, não precisa de ser castigada. Gosto de mim o suficiente para perceber que, por muito que isso só diga à celulite que as minhas coxas são uma bela morada, o caminho para me melhorar tem de incluir tudo. Em porções q.b. e sem stress. A comida é o teu combustível e merece ser explorada de todos os prismas.