Olá.
Sei que estás cheia de pressa para ser crescida e nem sabes bem o que isso implica. Na tua cabeça iludida, a felicidade vem quando arranjares um trabalho. E achas mesmo que vais ser jornalista, não é?
Estás com uma ambição tão grande que se torna assustador porque entretanto cresceste e mudaste tanto. Gosto de pensar que as tuas prioridades mudaram e ainda bem.
Mas se pudesse voltar atrás, dizia-te para viveres no presente. Nunca o fazes: andas em busca da melhor nota para poderes entrar na faculdade. Queres ser a melhor a todas as disciplinas. Só pensas na faculdade.
Para um bocado: cultiva-te. Lê mais. Por que é que paraste de escrever? Escrevias tanto. Vai mais vezes passear no Porto e perde-te na cidade pois ainda não está presa ao turismo.
Apaixona-te, nem que seja uma vez. Deixa que isso aconteça, pões sempre travões desnecessários. Não alimentes algo que já morreu; porra, é incrível o quão ansiosa consegues ser.
Gostava que entendesses que a tua ansiedade vai melhorar, muito. Ah, e esquece os ataques de pânico pois nunca mais tiveste um dessas dimensões. E sabes como é que melhoraste? Percebeste que tens o poder de transformar esses pensamentos.
Miúda, como era incrível se fosses mais confiante. Hoje serias uma mulher mais assertiva. Mas olha, ando a trabalhar nisso e parece-me que é um trabalho para vida toda.
Ver-te a viver tão presa no passado do que ele foi para ti e achares que isso foi amor dói. E ele aí, à tua beira, tantas vezes, pronto a cumprimentar-te.
Ao mesmo tempo, permaneces tão presa a um futuro que idealizas ser a tua felicidade que te esqueces do que é ser adolescente. Pudesse eu avisar-te da desilusão que foi entenderes que não queres passar a vida a escrever noticias.
Mas não te preocupes com isso: era o único curso para ti e a única forma de não tapares a boca à tua vocação; ao bichinho que tens dentro de ti e que durante tantos anos tentaste calar.
Sim, nasceste para comunicar; até ai, acertaste. Mas de outras formas, criadas por ti: contos, anedotas, espetáculos, vídeos, crónicas, non-sense.
São estas as coisas que até em miúda te fazem realmente feliz mas preferiste vê-las como passatempos quando poderão ser a tua vida; só depende de ti.
Estás pronta para essa aventura?
O teu eu presente diz que sim.