Tenho uma péssima memória. Obrigo-me a reter memórias em texto, recados, papéis espalhados em caixas de memórias e bilhetes infinitos numa das paredes do quarto. Revejo fotografias constantemente para voltar àquele segundo que se perdeu no tempo mas que me relembra de dias felizes, sol na cara e amigos à minha volta.
Acredito que vale a pena acumular tudo aquilo que nos leve ao espaço e tempo que não volta. Só a memória fabricada e, até, falsa do que um dia foi experienciada. Gosto dessa falácia. É como um abraço.
De que vale querer rasgar uma fotografia que já foi sinónimo de felicidade num tempo anterior? De que servem arrependimentos se numa determinada altura era tudo o que queríamos?
Se um dia me perguntarem por pedaços de plenitude, basta abrir a caixa.