Para ti, que nem sabes quem sou

Basta olhar-te para imaginar uma vida que, segundo as probabilidades matemáticas, não tens.

Ainda assim, desenho cada traço da tua rotina no meu imaginário.

Sei, pois, que és casado. Já foste mais feliz. Mas também já tiveste num buraco mais negro. Não queres filhos mas sentes a pressão pela parte dela. Como é que sei isso? Mexes na aliança a um ritmo frenético, quase como se ponderasses tirá-la neste comboio.

Olho-te de novo. Afinal, acho que és casado há bem mais tempo. E sim, claro que tens filhos. 2. Se dependesse unicamente de ti, terias mais. Mexes na aliança. Deves estar a recordar o dia que passaram ontem.

Renovo o olhar pra ti. Não és casado. Estás viúvo, há pouco tempo. Relembras tempos mais felizes cada vez que tocas na aliança como se isso te permitisse trazer memórias para o espaço que denominamos de presente.

Sais do comboio. Beijas um homem na boca e volto a criar enredos com quem cá ficou pois já te tornaste demasiado real.

O real chateia-me.

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