Muito se fala sobre a vontade de fazer algo perdurar até à morte de uma das partes. Está tão incutido que, inconscientemente, perdoamos. Esquecemos quem somos. Retiramos o valor daquele estalo que ele deu. Da falta de amor da parte dela, justificando que deve ser uma fase.
Forçamos a felicidade de uma relação como se obedecesse a uma regra matemática de três simples. Falamos do brio conjunto como se isso significasse que a felicidade individual tem de deixar de existir.
Vendemos uma ideia para o exterior com a ânsia de sermos, finalmente, abraçados pela sociedade pois encontramos alguém que tenciona partilhar o quotidiano connosco.
Como se o facto de só alguns conseguirem cumprir a promessa do infinito fosse um espelho do fracasso ou falta de esforço dos outros, mesmo tendo em conta a dificuldade inerente à condição humana de conjugar um arroz de tomate com sardinhas quando ela detesta o sabor desse fruto e ele é alérgico ao peixe.
Agora pensem noutros acontecimentos, numa escala maior, durante anos. Ainda é difícil perceber por que é que a maioria não espera pela separação através do caixão?