Precisamos de exemplos que nos inspirem. A máquina viu nisto uma oportunidade de lucrar e assim se criaram os artistas.
Correu bem — somos capazes de venerar pessoas num palco ou num ecrã. Ficamos viciados. Queremos mais músicas, mais filmes, mais. E isso nunca chegará.
Então, começamos a ter vontade de saber quantos filhos tem, se a relação com o ex-marido é saudável.
Não satisfeitos, julgamos — a cor do vestido não é acertada. A letra da música nem foi escrita por ele. Engordou uns quilos nos últimos meses.
Automaticamente, somos felizes. Guardamos a projeção dos sonhos para o futuro filho e contentámo-nos com a projeção dos nossos medos nestas figuras.
A infelicidade deles recorda-nos da nossa ínfima possibilidade de felicidade. Então, procuramos — os piores momentos. As quedas. A voz que falha naquele espetáculo.
Com o fim do vídeo, chega o preenchimento do vazio.
Até ao próximo escândalo. Até ao próximo click.