Sempre tive a mania de implicar com a matemática e sempre quis pegar nela, humanizá-la e dar-lhe um soco naquela cara de nojo que se ri de mim à medida que a borracha diminui depois de tantas vezes errar e esmiuçar o papel quadriculado dos cadernos.
Quando vi a matemática pela primeira vez, tirei-lhe logo mal as medidas. Achava que o zero era subestimado, isto muito antes de chegar às contas da multiplicação.
Ainda nas somas “elementares”, já achava que o zero merecia mais respeito, tinha de ser dignificado à minha maneira. Então, o que decidi fazer? Somar o zero, evidentemente! Ora, mas isso não tem mal. O resultado não é alterado.
Pois bem, para mim o zero funcionava como um “1”, isto é: 1+0=2.
Pensem, então, na quantidade de contas que estavam erradas e no trabalho que tive para perceber que todo o meu raciocínio tinha de ser refeito.
Era um sacrifício ter matemática, mas não me importava nada de ter português todos os dias e de escrever redações sobre as coisas mais simples e de, mais uma vez, complicá-las com figuras de estilo e uma pontuação mais ousada para a altura.
Esse sim — era o meu tipo de complicação favorita.