Olha agora, querias decidir quando é que vais morrer? Como se Deus não tivesse agendado o teu dia desde o exato momento em que nasceste. Imagina a quantidade de burocracias que teriam de ser alteradas só porque te sentes especial.
Relaxa.
Confia na aleatoriedade que te é garantida desde que dás o primeiro berro neste planeta. Mas não berres com esse facto, nada o mudará.
Aceita.
Imagino o dia em que vão ansiar a Morte mas ela, teimosa, fica simplesmente deitada no sofá a pensar:
– Ai agora é que me dás valor? Não vou. Aguenta ai mais uns dias. Ou sei lá, meses. Ainda não decidi.
Não resistas.
Realmente, é mais engraçado não se saber se vamos morrer engolidos naquela onda que nos enganou ou naquele passeio que tinha um buraco que ninguém viu. Quando estamos enterrados numa cama de hospital não há esse tipo de suspense.
Deixa-te não ir.
Dá-me logo uma vontade gigante de viver cada momento como se fosse o último ou andar constantemente ansiosa ao achar que até este computador em que escrevo se pode transformar numa arma letal.
Até que vais.
Vamos lá ver se retornas à Terra em lagarto.