Num mundo liderado por homens, onde ouvi várias vezes que deveria sorrir mais para ficar mais bonita, pode ser estranho não ser encorajada a rir. Muito menos a fazer rir. Afinal, de ambas as formas há uma reação semelhante nos lábios.
Felizmente ensinaram-me desde cedo a não me levar muito a sério — aliás, nem aos outros nem ao mundo. O meu pai assustou-me quando me informou sobre os efeitos colaterais de não poder discutir qualquer tópico sob uma luz humorística.
Assim, tornou-se fácil para mim perceber como é que me tinha tornado na palhaça no grupo de amigos. Quando fui para a faculdade, o mesmo aconteceu e as pessoas olhavam para a minha capacidade de fazê-las rir como algo raro.
Paralelamente, o meu fascínio pelo humor continuou a ponto de decidir escrever a minha tese de mestrado sobre isso. Li muita coisa e questionei ainda mais — existe liberdade de expressão se os comediantes não podem perturbar ou ofender o público? O humor pode sobreviver no ambiente asfixiante do politicamente correto?
Fiquei com mais perguntas que talvez não devam ser respondidas, mas sim discutidas. Aprendi que o humor nos ajuda a esquecer que eventualmente vamos morrer. Ou que diminui os significados que damos a esse fim. Dá mais cor às doenças. Ao medo. À tristeza. A nós mesmos.
Será que conseguimos perceber o quão poderoso e libertador é ter essa escolha? A opção de, simplesmente, rir?