Não tem de ficar tudo bem.
Convém que fique melhor.
Não hoje, não amanhã.
Mas depois de amanhã, senão desgraço a esperança.
Coloco-a num recipiente com tampa.
Ponho fita-cola à volta.
Volto no dia seguinte.
Esqueço-me que é esperança e, como tal, não asfixia. Não morre de solidão. Não se alimenta a pão. É mais resistente do que qualquer vírus.
Esqueço-me que a sua luz queima o recipiente, vejo-a a ganhar membros e a sair da caixa. E lá vai ela, devagarinho, tirando o lugar ao sol.
Chega a todos. Não hoje, não amanhã. Mas é certa. Mais certa do que a garantia do meu despertar.