Não quero nada, obrigada

Há palavras que não se juntam, são incapazes de criar uma amizade. Não vale a pena, elas recusam-se. Não há forma de criarem a mais pequena coesa e coerência: “Agora não tenho fome, não vou comer nada.”

São frases destas que me fazem duvidar do que verdadeiramente aprendemos na escola. A meu ver, a pessoa encarregue de criar expressões que incluem «não» e «nada» cansou-se de dizer tantas vezes palavras tão negativas e imperativas.

Começou, assim, a dar-lhes uso noutras vertentes do nosso discurso. Por exemplo, ao ouvir a expressão «não vou fazer nada» depreende-se que a pessoa vai ficar sossegada. No entanto, o seu significado literal é exatamente o oposto – um caso extremo de hiperatividade tal que o indivíduo vai fazer tudo.

Olhem só a quantidade de vezes que a conjugação das palavras «não» e «nada» foi maltratada, crucificada e envergonhada à frente das outras. E tudo isto debaixo dos nossos olhos e canetas.

Ainda que tente corrigir, já me apercebi que também sou vítima desta realidade. É que não é nada fácil combater incoerências institucionalizadas pelo tempo.

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