Criatividade

Acredito que a criatividade pode ser trabalhada e que a tinta não deixa de escorrer quando o prazo de entrega é imposto.

Em tantos anos de escola, só me lembro de desenvolver a imaginação na primária: dava adjetivos ao sol e criava relações românticas com a lua — aquela associação típica que os miúdos gostam de fazer como a pasta de dentes ser inimiga dos monstros que vivem nos nossos dentes.

A primária acabou e, com ela, as composições livres; deixei de dar nomes ao sol e já nem sei em que fase está essa relação com a lua.

Mais tarde, o sistema de ensino empobreceu a minha capacidade de visualizar mundos paralelos. Aos poucos, aceitei que as que bolas de sabão não são mágicas, mas apenas água com detergente.

No ensino secundário, a imaginação serve de pouco e é capaz de contribuir para uma nota negativa num exame nacional. Além disso, não ajuda a decorar datas históricas — mas contribui para o recriar daquele dia em que Portugal se tornou um mar de cravos e, finalmente, de livre-arbítrio.

A criatividade alimenta-se desse mesmo conceito — liberdade.

Permitir a abertura do imaginário das pessoas é pegar numa arma carregada de sonhos e distribui-la sem manual de instruções. Com essa arma, sou um pato dourado com sapatos cor-de-rosa mas sem ela sou apenas — eu.

Aborrecido, não?

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