Pintar as unhas

Escolhi um verniz que adjetivam “de verão.”

Trouxe a acetona, o algodão e a crença da minha precisão para completar esta tarefa.

Com a perfeita noção que apenas é possível pintar um dos pés com delicadeza, aceito a expetativa baixa com que travo esta batalha feminina.

Podias ter pagado a alguém para fazer isso.

Certo. Mas numa sociedade que nos incentiva a ir, fazer e ser, permitam-me falhar com muita garra, foco e assertividade.

Depois da primeira demão, reparo nas falhas que cometi; entretanto, começam a secar. Será que vale a pena apagar o esforço destes cinco minutos ou tentar aperfeiçoar todo o trabalho com uma nova camada de verniz?

Imperfecionista que sou, opto pelo segundo cenário.

Abatida pela derrota, projeto a minha fúria no pincel, o que apenas contribui para a falta de qualidade do resultado final.

Findada a vontade de melhorar, resigno-me à mediocridade. Porque afinal:

O que conta é participar!

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