Saber estar de fim-de-semana

Confesso.

A ausência de tarefas no fim-de-semana causa-me ansiedade. Preciso de marcar um horário para o ginásio, saber exatamente a que horas será o almoço e se o passeio com a cadela é melhor no parque ou na praia.

Tenho uma necessidade parva de preencher todos os espaços desses dois dias com pequeníssimos afazeres que nada mais são do que luxos de quem não tem de passar a ferro ou lavar o chão da cozinha.

A ideia de ficar a dormir depois do despertador causa-me náuseas. Seria incapaz de fechar os olhos e relaxar quando é preciso (porque eu assim o decidi) escrever um poema, testar uma receita nova, pintar um novo mandala e espreitar o mar.

A rotina de fim-de-semana relembra-me que a juventude está a evaporar-se do meu corpo a um ritmo acelerado.

Por isso, da próxima vez vou escolher dormir até às dez da manhã. Sim, mesmo à louca. Ah, e não vou marcar cafés. Nem sequer vou considerar abrir as notas do telemóvel e perceber que me dava jeito ir cortar o cabelo na medida que já passaram três meses. E uma escova de dentes dizem que é nessa altura que precisamos de trocar por uma nova.

Zerinhos.

Quem é que vive no momento, quem é?

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