Somos todos nuvens

Acho que quando as pessoas e os animais morrem, se transformam em nuvens.

Da janela do avião consegui avistar um porco, um anjo e um homem gordo. Todos mortos, suponho. Ou então, sonhadores o suficiente para fazer este trajeto; sonhadores o suficiente para materializar o sonho.

Mas eu vi. Eram pessoas. Pessoas que se transformaram em almofadas do céu e dizem olá aos aviões e pássaros.

Por isso, existe alguma verdade na ideia de o destino final ser o céu.

Esse eufemismo adocica a morte. Humaniza-a e mostra que a equidade é possível. As crianças acreditam e comem de garfo e faca as lengas-lengas que lhes dizemos. Mas também sabem vomitá-las quando questionam a veracidade do que afirmamos de punho fechado.

– Mãe, como é que a cegonha me trouxe pelas nuvens?

Vá, esta fica para a próxima.

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