A importância de fazermos o que não queremos

Todas as semanas forço-me a ir ao ginásio.

Não é que queira ir sempre, mas sei que me faz bem — a nível físico e mental.

Todos os dias obrigo-me a beber água.

Não é que tenha sempre sede, mas sei que o meu corpo precisa de continuar hidratado.

Todas as noites obrigo-me a comer menos chocolate do que aquele que verdadeiramente quero.

Não é que não o queira devorar, simplesmente sei que comer em demasia não me traz qualquer benefício.

Todas os dias insisto na escrita.

Não é que tenha sempre algo a dizer, mas sei que a única forma de melhorar é ao redigir.

Estamos programados para fazermos somente o que mais gostamos e o que nos deixa mais confortáveis. Temos de nos apaixonar também pelo desconhecido e pela versão de nós que ainda vive na incógnita, ansiosa por ser celebrada em público.

À medida que descobrimos algo novo sobre nós, conquistamos uma das coisas mais preciosas — o autoconhecimento; sobre aquilo que amamos, o que até gostamos, o que nos é indiferente e que desprezamos.

Ainda assim, há espaço para garantir aos outros que não queremos saltar de uma avião. Ou ter aulas de dança. Ou vá, aprender a gostar de beterraba.

Desde que o “nunca” não entre na equação, há tempo para novos ódios. E amores também.

Deixe um comentário