Pronto, já estou em pânico.
Proferir o Não é tramado:
Honestamente, não gosto. Traga-me outra coisa.
Não quero repetir, estou bem.
Não vou ter contigo. Apetece-me estar em casa.
Não quero ir de férias com ela. É chata.
Não quero ir a esse restaurante. É mau.
Não vou fazer horas extra. Não são pagas.
E quando nos dizem a mesma coisa?
Não gostei do resultado final.
Não achas que poderias levar outra roupa?
Não avance com essa ideia.
Não quero ir lá contigo.
Neste caso, dói mais. Como é que se atrevem a parar de massajar o meu ego e a serem assertivos? Que bandeja de sinceridade que nunca pedi é esta?
Mas o Não que deveria ser mais audível é o que mais se sufoca entre os dedos que silenciam o grito que anseia ser ouvido fora de quatro paredes:
Não quero mais.
Não me magoes.
Não me batas.
Não me mates.