Na lista de objetivos para 2021, sabia que o número 5 seria particularmente desafiante — lançar um livro de poesia.
Ainda que os poemas estivessem praticamente finalizados, imaginava que o processo se tornaria longo e penoso: desde o envio para editoras, da revisão de cada palavrinha e de abominar tudo o que escrevi, até perceber que de forma me posso posicionar num mercado de nicho enquanto nova autora.
Mas o amor às palavras é maior.
Começou numa sala de aulas da escola primária da Gandra com a Professora Manuela Dinis que me incentivava a refletir sobre o sol, os jardins, os pássaros e as marés. À medida que corrigia as vírgulas, alimentava a minha vontade de escrever com conselhos embebidos em afeto.
Mais tarde, surgiram outros professores que partilhavam a lição através da música. Cresci a ouvir rap português, embalada em tantas viagens de comboio e autocarro pela lírica daqueles heróis da palavra. Invejava-lhes o encaixe, o ponto final certeiro, a história que agarra do início ao fim.
Movida pela semântica, lancei-me às estrofes. Foram humilhadas, rasgadas, apagadas, amassadas.
Até se tornarem palco, papel impresso e versão final.
Este livro é o resultado de todo esse processo — uma tentativa, tantas vezes falhada, de encontrar respostas através do papel e da caneta.
Apesar de ser uma jornada que só me conduz a mais inquietações, não deixa de ser imperativa.
Em três partes distintas, faço a tradução em palavras do que imagino, vejo e vivo durante essa metamorfose. Não sou mensageira. Esqueci-me de qual era a mensagem. Cada vez me convenço mais que nem sequer existe.
Apenas sei que a tradução em palavras do que perceciono é mais confortável. Real. Minha.
Já podem adquirir uma cópia do livro “À Procura — entre o papel e a caneta.”