Sim, é verdade.
Tenho o vírus Covid-19 a habitar dentro do meu organismo.
Detetado por uma cotonete gigante que me deixou traumatizada, percorreu todas as minhas células e multiplicou-se na esperança de continuar a viver nesta casa que o recebeu de forma tão acolhedora.
Imagino-o a debater questões filosóficas com a minha faringe, a tomar café com os meus pulmões, a fazer apostas com o fígado — foi neste momento que o vírus travou uma amizade forte com este órgão já que o poupou de trabalhar em dois feriados diferentes.
Estava ele todo contente a conhecer o resto do meu corpo quando é interpelado pela vacina, essa heroína que luta pelo fim da minha expetoração e cansaço generalizado.
Pouco a pouco, o vírus enfraquece e repara que não é bem-vindo na minha corrente sanguínea.
Despede-se do meu revestimento interno com saudade, esperando que os seus irmãos recebam um bilhete de ida para este lar construído há 27 anos.
Segrego este vírus ao colocar o aviso “Proibida a entrada a Covid-19 e amigos” que a imunidade me garante durante mais ao menos 6 meses. Depois, seguir-se-á o reforço da vacina.
Conto sair vitoriosa desta luta — aliás, sairemos muitos.