A relva do vizinho

Já me disseram que pode ser mais verde. Ou mais bem cuidada. Ou mais saudável.

De qualquer forma, parece que lhe é sempre atribuída um adjetivo maior; mais altivo; superior.

Do outro lado, olham para o nosso pequeno metro quadrado de relva queimada como o prado mais verdejante do bairro. É tão belo que só dá vontade de ir buscar os químicos mais ameaçadores, a ver se aquele quadro realista se transforma numa obra de arte de natureza morta.

Será que é possível reconhecer que na casa ao lado existe um quintal igualmente belo? Ou, mesmo que noutra medida, que também pode ser bonito?

Podemos aceitar que esse facto não diminui a nossa realidade?

Mas primeiro — poderemos começar por acreditar que temos mesmo um cantinho de erva a florescer que não merece ser regado a insultos?

E depois, conseguiremos deleitar-nos com a visão de dois jardins sem comparar, querer ou mostrar?

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