Nesses dias, permito que os dedos sejam conduzidos pelo teclado numa dança qualquer que nunca pedi e da qual não faço parte.
Passo a ser o homem que se encosta nas paredes suadas na discoteca a observar as mulheres a abanar as ancas de forma incrivelmente ritmada com um copo de vodka cansada na mão.
Enquanto me apercebo do quão intragável é essa bebida, penso em formas de seduzir as palavras para que se aproximem de mim sem receios de criarem frases dignas de uma nova publicação.
Será que tenho de aceitar que esta rotina semanal pode, às vezes, ser quebrada?
De que forma é que uma amante de estrutura e pontos finais aceita uma página a meio ou, pior, uma página em branco?
Será este devaneio uma forma egoísta de justificar mais um texto?
Desculpem — não tenho remendo.