Quando era mais nova, acabava sempre por reler os trabalhos dos meus amigos antes de serem entregues e anotar todos os erros.
Era sempre escolhida para ficar encarregada da parte textual dos trabalhos de grupo e não eram poucas as vezes que me pediam para escrever declarações híper românticas às raparigas da outra turma.
Mais tarde, começaram a pedir-me frases. Daí, surgiram os parágrafos. Atreveram-se, até, a solicitar páginas de texto.
Por nunca ter olhado para estas tarefas como trabalho, acabava sempre por não ser paga. Recebia um “obrigado” seguido de “és a maior” e a certeza de que, mais cedo ou mais tarde, acabaria por surgir um novo pedido.
Olhava sempre para as minhas capacidades como algo que poderia ser partilhado por todos, como se o meu tempo fosse infinito e todas essas urgências fossem mais importantes do que os meus compromissos.
Por que é que não conseguimos percecionar as nossas paixões como fontes de rendimento? Por que é que temos medo de as capitalizar? Que vergonha é esta de pedir dinheiro?
Até finalmente perceber que tudo isto é trabalho e tem de ser remunerado como tal, perdi muitas oportunidades de valorização pessoal e profissional — por falta de noção de mercado e confiança no que fazia.
Bruna, me identifico muitíssimo. Ao ler seu texto, parecia ler trechos de minha própria história. E reafirmo aqui com você: De graça? Nunca mais.
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Muito obrigada, Adriana. Fico muito feliz. 🙂
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