A doce culpa

Um doce por semana.

Um pecado de vez em quando.

O terror da gordura.

Fujam todos do caramelo.

Como não podíamos ser totalmente abençoados com um planeta que nos brindou com todas as condições para o habitarmos de forma sustentável, eis que nasceu o açúcar.

Feito para nos suavizar o medo, incorporado para nos amolecer as dores, inserido para nos fazer esquecer a incerteza do amanhã, surge como a cura para todos os males menos para o amanhã.

É que nesse momento, o tempo para. Somos a definição de prazer até que a colher chega vasa, sem relevo, sem sabor.

Com o término da degustação, somos inundados de tristeza: o telefone volta a tocar, o senhor continua a barafustar, a conta continua a ter de ser paga.

Até amanhã. Porque amanhã, podemos voltar.

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