Na quinta-feira, fiz 28 anos.
Ao meu lado, turistas no comboio para Lisboa.
Umas horas depois, à minha frente, uma pizza de trufa que tem o poder meditativo que lhe competia para o dia que se aproximava.
Na sexta-feira, apresentei a minha tese de mestrado intitulada “Humor negro em Portugal: liberdade de expressão e limitações socioculturais” no Centro de Estudos Judiciários.
Ao meu lado, Ricardo Araújo Pereira.
À minha frente, uma garrafa de água que se foi esvaziando com os nervos.
E naturalmente: Magistrados Judiciais, Magistrados do Ministério Público, Advogados e outros profissionais da área forense.
Dentro de mim, todos os receios do mundo que, eventualmente, se transformarem em alívio após a primeira piada entregue com sucesso.
No sábado, atuei no Lisbon Comedy Club.
Ao meu lado, colegas de Lisboa.
À minha frente, um público munido com as ferramentas necessárias para saber identificar ironia e sarcasmo.
Ficou mais uma vez provado que, como qualquer criador, o humorista deve poder expressar-se em liberdade sendo que pensar e repensar as intenções artísticas de cada texto faz parte da teia criativa — algo que não deverá ser confundido com medo ou censura.
Estas são temáticas complexas e muito sensíveis ao contexto em que se situam pelo que necessitam de ser constantemente examinadas pelo risco de o meio onde o humor opera se alterar ou até dos constrangimentos que o ameaçam se modificarem.
A eterna discussão dos limites do humor irá continuar a ser debatida, sendo que a existência desta problemática evidencia o valor do debate livre.