Ir buscar tempo

Às vezes, fico sem horas.

Esgoto o tempo entre calendarizações, emails, reuniões, revisões de texto, formações.

Ali a meio, esqueço-me de mim.

Talvez seja esse o objetivo nas alturas de reboliço de afazeres, em que o objetivo é mascarar qualquer mergulho nas profundezas do que possa estar a sentir.

Permitir-me estar a sós com os meus pensamentos não é perigoso, mas pode ser maçador.

Acima de tudo, não lhes reconheço utilidade prática quando a tela é cinzenta.

Por isso, trabalho com mais afinco. Estudo até mais tarde. Releio até à exaustão.

Até que a sombra passe. Até que o azul surja — sem que eu pense muito.

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