Há mais de dez anos, entrei na Rota do Chá pela primeira vez.
Foi lá que encontrei uns cartões publicitários da Sumol que me levaram a pensar: É isto. Eu quero ser a pessoa que escreve isto.
Longe de saber que existia um nome para essa profissão, levei todos os cartões para casa e comecei a pensar no que faria de diferente:
Será que aquela virgula é mesmo necessária? Não haverá um melhor sinónimo para esta palavra? Será que aquela frase é demasiado comprida?
Durante essa tarde, rescrevi as frases dos 10 cartões que levei para casa e pendurei os meus preferidos no quarto. Continuam por lá, a relembrar-me que é isto que me apaixona: a palavra certa no momento certo.
Em funerais, já dei por mim a pensar:
– Os meus pêsames? É tão frio.
– Os meus sentimentos? Está tão batido.
– Ele está num lugar melhor? Pode nem corresponder à verdade.
Quando tenho de apanhar um autocarro, perco mais tempo a analisar a publicidade dos mupis do que a escolher a música no Spotify.
Este exercício de inquietude mantém-me atenta. A par do que está a acontecer. E com muitos ciúmes de tudo o que é extremamente bem feito.