Com 14 anos, calhou-me a mim.
Faltava às aulas, passava tardes na cama com a botija de água quente como melhor amiga; mas era normal. Partilhei, a medo, o drama do período com a minha pediatra. Mais uma vez, era normal. Há mulheres que sofrem mais. Pelo menos até terem um filho. (Não funciona assim, ok?)
Lembro-me de todas as raparigas darem a desculpa do período para não fazerem a aula de educação física pelo que cada vez que usava a mesma justificação soava sempre a mentira.
Depois, começaram as idas à urgência porque as dores não passavam. Os médicos que me atendiam diziam que… Era normal, claro! Acontece. As tonturas, as dores incapaciantantes, as náuseas, os vómitos.
Mas como é que é possível isto acontecer todos os meses? Até quando?
Mudei de ginecologista. Precisava de quebrar a normalização. De perguntar. De saber:
– Estive a pesquisar. Talvez seja endometriose, não?
– Não deve ser. Os teus ovários estão limpos.
Volto a pesquisar. A rever-me em tantos relatos e sintomas. Queria tanto dar um nome à minha dor que quando um novo ginecologista me examinou e disse:
– Confirma-se. Tens endometriose.
Fiquei feliz. Aliviada.
Chegar até ao diagnóstico envolveu muita pesquisa, descrença, silêncio e normalização.
Provavelmente, conheces alguém que sofre do mesmo. Por favor, diz-lhe que não é e que nunca será normal — e porra, ainda bem.