Tens sido tão forte!
Sorrio perante o que é suposto ser um elogio.
Quando, na verdade, a minha aparente resistência nada mais é do que a urgência de querer manter o meu teto e as minhas paredes intactas, mesmo depois de todas as tempestades.
Gostava que deixassem de romantizar a minha vontade de querer agarrar-me ao que sobrou dos escombros e que se sentassem comigo debaixo das telhas.
Queria que dormissem comigo neste colchão com pó datado, antes sequer de me questionarem sobre os planos de amanhã.
Depois, seria bom que me mostrassem que outras opções tenho a não ser ir em frente. Digam-me que outros caminhos escolheriam se tivessem os meus pés.
Em alternativa, façam o trilho à minha frente já que a resposta automática será seguir-vos cegamente.
Talvez aí entendam que nada sei. Que poucos livro li. Que poucas pessoas consultei.
Que vou. Que continuarei a ir — ainda que o medo teime em querer dar-me a mão.