Começamos por entender que o Natal é desejar coisas: carrinhos, bonecas, novos lápis de cor.
Pedimos, apontamos, escrevemos a um senhor que nem existe.
Quando o dia finalmente chega, a mesa cheia é o segundo plano. Nada mais do que o meio para chegarmos ao nosso fim — brincar.
O que está dentro de uma caixa forrada a papel de embrulho é o brilho da época, que se reluz no nosso olhar que se deixa encantar com tudo o que tem cores e formas que ainda não temos no quarto.
Passamos, então, a acreditar que estes objetos têm o incrível poder de nos deixar felizes e completos.
Torna-se fácil procurar sinónimos de “eu gosto de ti” em camisas, pulseiras e carros.
Esquecemo-nos que os outros poderão não saber ler esses sinais da mesma forma e que, tantas vezes, valorizam mais a toalha virada para o pôr-do-sol.
Mais tarde, aprendemos que o mais importante é a cadeira virada para os outros. O ouvido aberto. A mão estendida.
Enquanto assim for, teremos sempre tudo.