Talvez a criação de expetativas seja apenas a consequência da minha necessidade de imaginar cenários para que possa antecipar o que vai acontecer.
Para que me possa preparar. Para que doa um bocadinho menos.
Preferia lidar de outra forma com todos os amanhãs — é que abrir as feridas antes de cair só prolonga a dor.
Mas olhem só o lado inverso: é tão bonito imaginar o beijo que ainda não se concretizou mas que é certo. É tão reconfortante pensar nos pés mergulhados na areia da próxima semana.
O conflito da imaginação e da realidade é equilibrado sempre que os dias são tão bons que imaginar o fim é doloroso. Ou quando os dias são tão beco sem saída que digo a mim própria:
– Eu imaginei isto. Pronto, podia ser sempre piorzinho.