Uma hora no veículo que me leva do Porto a Coimbra.
Sei de cor a história de vida de cada pessoa que entra e nem as conheço.
Conheço-lhes as vontades, manias, hábitos asquerosos.
Estou familiarizada com a tosse, o cheiro do perfume e a forma como preferem ter a risca no cabelo.
Quando saem na estação que os irá receber para trabalho, casamentos, encontros ou funerais, despeço-me com saudade.
Pode ter sido o primeiro de mais nenhum encontro.
Ou uma porta aberta para o segundo, que será iniciado com a frase que mais facilmente encaminha o resto da conversa:
Já nos conhecemos, certo?