A velocidade assusta

Acordei às seis da manhã e agora já são dez e vinte e oito.

Era capaz de jurar que quando pisquei os olhos pela última vez vi o sol a querer espreitar para dentro de casa.

Mas quando olho pela janela, o céu escuro cobre toda a cidade e as luzes já norteiam os nossos passos.

Ontem voltei da escola com a mochila rasgada na alça direita.

Como é que hoje uso uma mochila nova com um computador que não me pertence lá dentro?

Quando nasci há uns dias, nem conseguia chegar aos pedáis do carro.

Agora, conduzo sem pensar na mecânica que está implícita em cada ação.

Há uma semana, coloria o sol com um lápis roxo.

E agora estou no banco, onde me dizem para rubricar as últimas três folhas com esferográfica azul.

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