Arrumar a saudade

Às vezes, é quando acordo.

O primeiro pensamento irrompe: Não estás aqui.

Acreditar nessas palavras ainda é difícil; cada vez menos doloroso, mas igualmente desafiante.

Infelizmente, ainda me parece óbvio que vais voltar dessa viagem longa que decidiste fazer sozinho.

Talvez por te sonhar tanto, ainda sou levada nessa história de embalar.

Quando era criança, pedia ao meu pai para me adormecer com uma história sobre golfinhos.

Todos os dias, um golfinho com um nome diferente. Uma narrativa feita à pressa mas que tinha a doçura de me convencer; sempre.

Hoje, gostava de saber que história é que posso contar a mim mesma para me convencer da ausência permanente. Que enredo é que posso eternizar no meu bloco de notas para aceitar que não te torno a chamar, ainda que o teu nome tenha ficado para sempre preso debaixo da língua?

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