Da confiança à autoestima

Confio que sou confiante. Atiro-me ao palco, o dia já não fica estragado a imaginar que tenho de discursar e garanto que o texto que me é pedido ficará bom.

Até chegar aqui, duvidei de tudo o que era, fazia e sonhava.

Tinha tanto medo de me achar maior do que os outros, que achava que a solução estava em reduzir-me. Assim, a desproporção entre mim e eles continuaria a aumentar e a ordem que me mantém sã, também.

A partir de um certo dia que não sei bem qual foi, consegui ver-me em pé de igualdade com todos esses outros.

Seria de esperar que esta nova realidade me fizesse abraçar outro conceito — a autoestima.

Essa continua embrionária, prematura; não evolui.

Como é que piso o mesmo chão há quase 29 anos e fiz tão pouco para a edificar?

Como é que posso, finalmente, construi-la?

Já a desfiz várias vezes. E a cada desenlace, fica mais pequena.

Por não querer aceitar que é microscópica, lá a continuarei a semear: a ver se nascem flores já na próxima primavera.

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