Perto dos 29 anos, achei que me iria lambuzar cada vez menos com a vida.
Há quedas que nos trazem novas moradas e se não tivermos os olhos abertos e a cabeça a espreitar para fora, somos capazes de ser engolidos por essa nova forma de estar.
Espanta-me, então, redescobrir o encanto por tudo o que é mais pequeno: um rolinho na planta que a Sofia me deu. A tela de passarinhos que o trabalho em casa permite. A Lua a dormir enrolada nela própria. A biblioteca de Ermesinde. O cheiro que só os livros sabem ter.
Todos esses momentos são felizes; tão felizes que basta imaginá-los para nadar nessa euforia que me acalma. Que me abre para o mundo. Que me permite desejar sempre o amanhã.