Dizem-me os filósofos que não existe o conceito de ‘pensar demasiado’.
Existem, sim, formas de pensar erradas.
Ponho o dedo no ar; acuso-me.
Tenho pensado mal e parcamente.
Primeiro, ao negar: Digo que não me interessa. Que não quero saber. Que sei lá. Que não. Não. Não me importo.
Quando, acima de tudo, ainda quero saber. Ainda me interesso. Que sei. Que sim. Que importa.
Depois, por não sair do círculo. Os pensamentos são iguais, não desenvolvem. Levam aos mesmos cenários e o desfecho não se afigura diferente.
Sou atropelada por pensamentos diários em que és sempre uma personagem qualquer de uma história que não dei licença para ser imaginada.
Por fim, por me esquecer que já fui invadida por estas emoções no passado. Que todas passaram; que todas deixaram de importar.
Enquanto mergulho no desejo da apatia, esqueço-me que ela é possível; que aparecerá.
Gostava de ter a certeza que seremos capazes de nos recuperar. De voltarmos ao abraço prolongado. Sem outras intenções a não ser a de conseguir mostrar-te o livro que li sem sentir o peso de querer mostrar-te tantas coisas mais e tudo aquilo que sonhei ser contigo.
Talvez por ser um luto diferente de todos os outros.
Talvez por saber que andas por aí. Aqui.
Tão perto; e longe do possível.