São cada vez maiores os intervalos de tempo em que me esqueço de te lembrar.
Sei que isso não significa nada; pelo menos, nada de mau.
Ser capaz de me lembrar menos de ti ao acordar e ao deitar, não é esquecer-te. Não é arrumar-te. É sentir a tua ausência em momentos-chave.
É abraçar-me mais e sentir menos o fardo do selo do ‘sempre’.
É ter-te por perto, mas menos fantasma.
É conservar-te nas noites em que me rio, nos momentos que saboreio uma cerveja, nas conversas onde poderias adicionar o teu ponto de vista.
É conseguir sorrir sem o peso da culpa.
É rir ao falar de ti.
E é aceitar que haverá dias em que tudo isto não passará de uma farsa.