Ainda que não se comparem ao deslumbramento de um pôr-do-sol, conseguem levar-me para a mesma teia de pensamentos: Isto termina. E amanhã recomeça.
E enquanto me desfaço de todos os afazeres que me consomem desde o momento em que acordo, percebo que os momentos mais preciosos do dia se concentram neste adeus ao sol, neste cumprimento ao ócio.
Desdobro-me em leituras, escrituras, meditações de olhos abertos, laboratórios de poesia e aulas de dança.
Descarrego as frustrações dos horários e a mão pesada das urgências com barulhos de fundo que me fazem mexer músculos que passaram o dia adormecidos.
Sou, da forma mais despida que sei ser. Até que chega a lua e a promessa de mais um círculo. Até se fazer sol de novo.