Se todos temos o potencial de sermos vistos como especiais, belos e únicos de acordo com o olhar do outro, como é me posso usufruir dessa escolha?
Que atributo tenho de dar a esse olho clínico que me perceciona como uma ave rara para que possa deleitar-me com o encaixe dessa mão que se aproxima da minha?
Como é que posso percecionar-me como única, se somos tantas por aí e este não passa de um mero acaso do universo?
Quem me garante que se eu não tivesse ido àquele parque, hoje as juras de amor seria feitas àquela miúda de cabelo curto?
Como é que permito que gostem de mim e me separem dos demais, sem que isso me obrigue a racionalizar a estupidez que é endeusar alguém?
Como é que posso sentir mais por ele do que por qualquer outra pessoa e, ainda assim, não o achar melhor do que os outros?
Democraticamente falando, como é que podemos expressar este reboliço de emoções, encaixando-o numa estrutura organização horizontal?