Mergulhos de cabeça

Nasci diferente.

Ao contrário dos outros, não sou capaz de sossegar o turbilhão que me invade quando desperto para um novo amor.

O primeiro sinal de alerta é a procura desse novo olhar no meio de uma multidão.

Quando o encontro, procuro apressadamente o caderno e tento explicar o porquê de querer adormecer e acordar perto daquele pequeno universo orbital.

Guiada pela fé cristã que só surge nestes momentos de deslumbramento, passo a acreditar piamente que a dor é necessária e que o sofrimento é bonito.

Ainda que as quedas se acumulem, o próximo encontro tem o mesmo entusiasmo e as próximas juras de amor infinito são igualmente credíveis.

Aventuro-me sempre no amor com a mesma rapidez, força e vontade.

Esqueço-me que a probabilidade de resultar é baixa e de que é possível sair de uma história que se está a desenrolar à nossa frente.

Atiro-me; sempre.

Não sei recusar um livro com um bom preâmbulo.

E quando chego ao fim, escrevo.

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