Abro o pacote de cereais e deixo que a minha mão recolha o que daí vier.
Como rapidamente, para pôr fim a este sabor insosso que ficou preso na boca há meses.
Não saboreio o trigo, o chocolate, o amido que lhe dá a crocância que me faz doer a cabeça.
Tornou-se um gesto automático, nu de proveito.
Não era bem isto que me apetecia.
Não era esta a fome que eu tinha.
Não sei como preencher os buraquinhos que são a prova de uma solidão marcada no ventriculo esquerdo, como quem vira para a florista na rotunda.
Até lá, conduzo em modo automático; amanhã compro mais cereais.